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Mamãe também tem um brinquedinho, filha!

Esta semana, escrevi no Portal do Andreoli, onde publico colunas todas as quartas, sobre um assunto espinhoso porque, na verdade, acho que um pouco da felicidade está em por pra fora os pequenos nós na garganta que a gente fica colecionando. E a gente falha, né?

Na manhã do Dia dos Namorados, as amigas solteiras estavam lamentando e/ou comemorando, as casadas, comemorando e/ou lamentando, e eu… não sei até agora resumir. Chorando? Sim! Rindo? Também!

Acordamos cedo em casa, mas era a vez do meu marido levar nossa filha à escola. Beijinho e eu voltei a dormir. Acordei segundos depois ouvindo uma confusão e levantei com meu marido à beira da cama segurando “nosso brinquedinho” na mão.

– Ela (nossa filha, de 12 anos) pegou isso (ele segurou chacoalhando no alto) e estava lá no quarto dela!, ele disse.

Eu olhei, esfreguei os olhos, não consegui pensar muito e ri por dentro. Quis soltar um “mamãe também brinca”. kkkkk… Fiquei muda por alguns segundos e tudo bem! Ainda bem que não era nada escondido do meu marido – ao contrário, ele conhece o dito cujo de, digamos, outros carnavais.

O tempo fechou em casa! Ele falando pra ela sobre pegar as coisas das pessoas e não devolver, pegar as coisas das pessoas e não pedir. Até falou sobre pegar coisas íntimas das pessoas como se alguém pegasse o diário dela e o lesse. Mas não sei exatamente o que ela entendeu, seja do que ele falou ou do que ela achou, pegou e não devolveu.

Eles saíram e fui mandar uns emails, fazer uns telefonemas, ri alto algumas vezes e não toquei no objeto.

Algumas horas depois, fui buscá-la na escola. No caminho,  pensei no que diria, em coisas do tipo: tenho que enfatizar que não se pode mexer no que não é nosso, tenho que explicar o que era aquilo, tenho que proibi-la por algum tempo de pegar roupas e sapatos no meu guarda-roupa como castigo… e tenho que esconder melhor as coisas a partir de agora, p***a!

Parei o carro na frente da escola e ela entrou. Dirigi um pouco, comecei a falar – e a chorar! Não conseguia parar de chorar. Minha voz sumiu, não conseguia pensar! Me veio um misto de vergonha, um lamento misturado com receio de ter perdido minha intimidade e de um certo orgulho com medo de ela ter se tornado uma mocinha de fato, do tipo curiosa e destemida, que encontra algo assim e pega.

Já havíamos comversado sobre masturbação, mas, desta vez foi diferente porque o foco não era apenas ela e suas experiências: eu também havia sido “descoberta”. Me julguem, ou me ajudem, mas não consegui formular muita coisa nesses dois dias.  Conversei tudo que consegui, mas, definitivamente, não estava preparada para isso. E quem está?

No fim, pode ser que o mix de emoções tenha explodido por eu ter achado que seria mais fácil pra mim falar sobre sexo e prazer com a minha filha do que foi pra minha mãe na minha adolescência. Fail!

Cheguei até a trocar umas mensagens no zap com uma amiga (abaixo) e foi hilário. Pensei que poderia ter sido bem pior e a minha filha ter pego e levado o objeto para a escola, confundindo o tal com um “brinquedo de criança”.

Update: para quem quer saber onde tirei a foto, foi na parede que o Mena (Gabriel Menezes) fez no Laranjeiras Bar, em São Paulo. 😉

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